por Letícia Fagundes"O que você quer ser quando crescer?" Todo mundo ouviu isso quando criança e, como toda criança, repleta de sonhos e ingênua quanto a problemas, imaginou uma profissão - qualquer que fosse ela - muito bonita e feliz. Natural. Quando pensávamos na função, lembrávamos apenas do lado bacana e florido da história.
"Quando a gente responde que quer ser médico, nunca passa pela nossa cabeça que serão horas de plantão, que você vai ver muita gente doente, que vai demorar anos estudando sem ganhar nada e ainda assim vai ralar muito para ter um salário digno no final do mês", afirma Paula Bianca de Oliveira, 27 anos.
Ela não é médica. Trabalha com Comunicação Corporativa, mas conhece bem a ilusão da busca incessante pela felicidade plena no trabalho. Mudou muitas vezes de emprego e o máximo que permaneceu em uma mesma empresa foi um ano e meio. "Antes de entrar no mercado, eu pensava que trabalho fosse um passo para a realização. Desde a primeira experiência, descobri que tudo era ilusão. Tudo na vida vai ter seu lado ruim."
A constatação, porém, não faz Paula abrir mão da própria "inquietude". Pelo contrário. Hoje, ela analisa que é muito positivo o fato de não haver perfeição em lugar nenhum. "De todas as experiências que eu tive até hoje, eu nunca estive 100% feliz e eu nunca vi ao meu redor pessoas 100% felizes. Eu acho que é natural do ser humano. A gente tem altos e baixos, se empolga e desempolga, muda de opinião e de vontades. Uma pessoa que está muito satisfeita não evolui. Um pouco de insatisfação é o que motiva a buscar o novo, nos faz crescer, querer desafios."
Consultor de carreira da Thomas Case & Associados, ele até tem uma lista de fatores que mais provocam o desejo de mudar:
- Remuneração;
- Ambiente de trabalho;
- Falta de perspectiva;
- Não fazer o que gosta;
Bárbara, que tem formação na França, veio para o Brasil fundar a DA Consulting, com o objetivo de trazer para o universo de consultoria justamente a expertise em avaliação comportamental, projetos de competência, seleção de altos executivos e criação e condução de Assessment / Development Center.
Para ela, muitas pessoas habituam-se a reclamar sem nem saber o porquê desta atitude. "Eu vejo pessoas que reclamam o tempo todo. Nunca nada está suficientemente bom e o grande problema é que elas não propõem soluções! Uma pessoa pode reclamar quando ela mostra que ela tem razão para isso. Vamos reclamar menos e fazer mais o nosso melhor! E, de novo, se for para reclamar, reclame com fatos na mão e apresente soluções. Reclamar por reclamar não vale!"
Xô ilusão!
Para não cair nesta verdadeira roda-vida de sonhos e conseguir, realisticamente, ter uma vida corporativa feliz, é necessário colocar os pés no chão. "Não acredite em tudo o que as pessoas falam. A política da empresa pode até ser muito bacana, mas que 100% dos funcionários são felizes... Eu não acredito nisso, não é possível, porque a gente tem de ver as expectativas pessoais e individuais de cada um", continua Bárbara.
Em tempos de divulgações de rankings das melhores empresas para se trabalhar, ela aponta que devemos ter muito cuidado: "A empresa é a melhor no ranking de responsabilidade ambiental. Mas se você não se importa com isso, talvez não conte muito. Às vezes, a gente se impressiona com os outros e acaba descobrindo que a grama do vizinho é da mesma cor da nossa. Por isso, avalie mesmo os pontos positivos e os negativos, porque ambos existem sempre!"Uma importante dica deixada por Waberski diz respeito a planejamento e prioridades: "Muitas vezes, o profissional tem uma noção leiga do mercado e por isso precisa de uma orientação. É necessário saber o que quer realmente." Ele propõe que cada um se faça sempre duas perguntinhas que têm relação direta com o autoconhecimento:
"O que me faz feliz?" e "O que é mais importante para mim neste momento?"
Paula já respondeu essas perguntas. "Lidar com pessoas não é algo fácil. Isso, pra mim, sempre foi uma dificuldade. Então, hoje, uma condição básica para eu me sentir feliz no trabalho é com relação ao meu relacionamento com as pessoas. Se eu tenho um ambiente agradável e harmônico, isso conta 80%! Outros 15% são aprendizado e 5% remuneração."Ela garante que agora não aceita propostas que não levem em conta isso. Pode ter salário tentador ou outras vantagens, mas caso ela perceba que não há um ambiente positivo e de "constante evolução", ela não aceita. Ela afirma que não se arrepende de ter essa postura e que atualmente considera-se, sim, uma profissional feliz.
"Hoje, estou em um trabalho onde eu identifico isso. São gestores que têm vontade de que as pessoas cresçam com eles. É importante que você tenha alguém em quem se espelhar. Se eu não tiver um ganho, uma contrapartida, não vale a pena. Eu já mudei de emprego para ganhar menos por acreditar que aquilo ia me fazer evoluir. E foi, com certeza, melhor para mim."
Paula já definiu a própria prioridade. E você?
Fonte: Catho - Carreira e Sucesso






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